sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Final Feliz?!




Esses dias estava lendo um livro muito interessante e comecei a me empolgar com a história da protagonista de tal forma que me deu uma vontade incontrolável de ler as últimas páginas do livro só para saber logo como seria o final. Para falar a verdade cheguei até a folhear e passar os olhos bem rápido, mas me deparei com o que estava fazendo e na hora lembrei do livro anterior que eu deixei encostado porque li o final [Eu até tentei ler o restante que faltava, sabe?! Mas toda vez eu pensava "Ah, já sei o final mesmo"]. 
Então me dei conta de que se eu lesse as páginas finais do atual livro, antes da "hora certa", independente de como seria, provavelmente a MINHA história se repetiria: eu acabaria perdendo o interesse porque a minha curiosidade estragaria a leitura total do livro. 

Então entendi que a minha ligação com os livros não era por causa da narração, dos acontecimentos e dos "finais felizes" e sim por causa da minha CURIOSIDADE. E o meu problema também, afinal, ela me fazia perder boa parte da história.

Indo mais além, percebi que essa vontade de saber o fim acontece direto na minha vida, e creio que na de muitas mulheres, pois a maioria de nós é, por natureza, muito curiosa. Queremos saber de tudo, nada escapa da nossa curiosidade. Provavelmente é por isso que sofremos mais do que os homens quando não sabemos como algo vai acabar. 
Para nós, o "silêncio" [falta de resposta ou conhecimento sobre o fim] é como um cisco no olho, incomoda tanto que só aquietamos quando o tiramos. Fazemos de tudo para ele sair: Esfregamos, choramos, piscamos repetidamente e até chegamos a pedir para outras pessoas soprarem em nossos olhos afim de que o tal cisco saia. A última coisa que fazemos é ter calma e paciência. Aliás, essas duas palavras não combinam em nada com a curiosidade que tem como companheiras as famosas "Inhazinhas" [irritaçãozinha e inquietudezinha].


Mas na verdade, o problema disso tudo é que quando buscamos saber logo o fim de algo [sem, de fato, já estarmos vivenciando o fim], não percebemos que estamos deixando de lado todo o resto da história e, por conseqüência, perdendo alguns capítulos que podem ser fundamentais para entendermos o porquê de ter esse final [e não aquele]. E, não menos importante, também pulamos acontecimentos paralelos que nos reservam grandes emoções [que só percebemos quando nos permitimos viver].


Infelizmente, por causa dessa tal curiosidade, não vivemos a nossa história, nós apenas folheamos, rapidamente, as páginas. Aí quando chegamos ao fim [tão desejado] não entendemos porque tudo ficou tão sem graça.

É porque a graça ficou no meio das linhas perdidas que tanto pulamos. E aí, para recuperá-la, só se começarmos tudo de novo ou procurarmos uma nova história... 

Ou, na melhor das hipóteses, MUDANDO HOJE a nossa história, deixando a curiosidade de fora e permitindo que todo o resto [personagens e acontecimentos] encenem a sua parte.

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